
Manipulação no louvor
Por Equipe Vineyard Music Uma pequena meditação sobre o que é chamado de ´manipulação´ no período de louvor. Eu costumava fazer isso no início do meu ministério de liderar louvor, e tem sido necessário anos de observação, assistindo grandes líderes de louvor, para me livrar desse hábito. Não aborde ou empurre a congregação com palavras do tipo:´não consigo ouvir vocês!´ou ´vamos lá, mais alto!´, ou qualquer outra palavra de ´estímulo´. Nós dizemos (ou gritamos) estas coisas mais para o nosso próprio bem do que para o bem da congregação ou para o bem de Deus. Isto move a igreja de um sentimento de ser pastoreado através do período de adoração para um sentimento de estar em um show, onde a pessoa com o microfone é o centro da atenção.
Um líder que dá ´manivelas´ na congregação é como um balde de água fria. Nada estressa mais uma congregação do que um líder de adoração estressado! O sucesso de um período de adoração não está baseado na demonstração externa ou na ´energia´ aparente do período de louvor – o que está acontecendo dentro de cada coração é o mais importante. Nós nem sempre podemos ver fisicamente ou identificar se a adoração está ´indo bem´. Para nós que somos apaixonados quando estamos liderando, que gostamos de dançar e balançar, esta é outra área vital de crescimento que precisamos focalizar e vencer.
Estas cartas são trechos de notas, e-mails e conversas de líderes de louvor experientes para aqueles que estão começando.
---------------------------------------------------------------------------------------------- Equipe de louvor afinada Por Milton Lucas
FALTAM ALGUNS MINUTOS PARA O INÍCIO do culto e a equipe de louvor está a postos. Ouvimos o som das cordas do violão sendo afinadas. São seis cordas, cada uma com um som diferente — mi, si, sol, ré, lá e mi (mizinho) —, mas quando afinadas corretamente soam bem, como se fossem uma coisa só. E na equipe de louvor, as pessoas estão afinadas? A palavra pessoa vem do latim persona, que dá o sentido de ´o som de cada um´. Pessoas têm som. Cada pessoa, um som diferente. Cada som é importante, único e bom. Quando colocamos todos estes sons juntos eles precisam estar afinados ou o resultado nunca será música, mas sim barulho. Como fazer para afinar pessoas?
PRECISAMOS DE UM DIAPASÃO. O diapasão é um instrumento que nos oferece uma referência para afinação. Ao soar, ele nos dá a notaguia. Nosso modelo é Jesus. O padrão que o membro de uma equipe de louvor precisa espelhar é o mesmo de todo cristão. Amar como Jesus amou, perdoar como Jesus perdoou e servir como Jesus serviu. Uma equipe de louvor é antes de tudo uma equipe de discípulos de Jesus, um grupo de aprendizes do Reino cujo desejo primário — antes mesmo de tocar qualquer música — é ser parecido com o Mestre.
PRECISAMOS DE OUVIDOS. Para afinar o violão precisamos ouvir o diapasão e ouvir o som da corda. Para afinar pessoas precisamos ouvir as pessoas e precisamos ouvir o Espírito Santo — lembre-se que nosso diapasão é uma Trindade. Na prática, isso significa interessar-se verdadeiramente pelas pessoas. Significa também interessar-se por aquilo que Deus está fazendo na vida daquela pessoa e colaborar com isso. PRECISAMOS AFINAR UM DE CADA VEZ. Assim como no violão, cada corda é afinada de uma vez. Pessoas devem ser consideradas individualmente. Músicos geralmente não são tratados por quem são, mas pelo que fazem ou podem produzir. Por trás do instrumento existem adolescentes, jovens, homens e mulheres casados ou solteiros, pessoas que têm sonhos, decepções, alegrias, tristezas, ne¬cessidades, história, vida etc. Tudo isso deve ser considerado. Cada pessoa é importante, assim como cada corda.
PRECISAMOS DE DUAS MÃOS. No caso do violão, uma das mãos faz as cordas soarem e a outra aperta ou afrouxa as tarraxas para encontrar a afinação ideal. Para afinar pessoas também precisamos de duas mãos: a humana e a divina. Alguém precisa se voluntariar para cuidar das pessoas da equipe de louvor. No entanto, a obra de formar — ou transformar — vidas não se realiza através de esforço hu¬mano. Precisamos encorajar, confiar, esperar e celebrar a obra do Espírito Santo na vida de cada um.
PRECISAMOS DE UMA CORDA PARA AFINAR A OUTRA. Ao afinar o violão, uma corda colabora na afinação da outra. Pessoas precisam de pessoas. O relacionamento dentro da equipe é fundamental. Precisamos fazer deste grupo uma família cristã e não apenas numa banda.
PRECISAMOS DE TENSÃO. As cordas do violão são afinadas pela pressão. Pessoas também. Quando olhamos para os membros de uma equipe com pessoalidade, quando ouvimos seu coração e quando deixamos Deus nos usar para tocá-los, mesmo as crises e as tensões são oportunidades para a ´afinação´.
Tudo isso só acontece no contexto da comunidade cristã. Ter uma equipe afinada tem mais a ver com ´pastoreamento´ que com técnicas motivacionais ou dinâmicas de grupo. Que o som das pessoas da nossa equipe de louvor seja um doce para Deus.
Milton Lucas é Diretor Executivo da Vineyard Music Brasil, pastor sênior da Comunidade Vinha de Piratininga (SP) e um dos coordenadores do Movimento Vineyard (Vinha) no Brasil. É casado com Érika e tem dois filhos: Miguel e Melissa.
---------------------------------------------------------------------------------------------- Uma equipe ou várias?
Por Vineyard Music Uma boa pergunta. Você me fez uma boa pergunta: por que temos várias equipes de louvor diferentes ao invés de uma só. Há uma boa razão para fazermos isso.
Os benefícios são: 1 – Cada banda se acostuma a tocar junta - estilos de comunicação, amizade, entendimento musical e muitas outras conexões tangíveis e intangíveis pode ocorrer.
2 – Cada banda pode desenvolver seu próprio som e repertório
3- Facilidade de marcar ensaios – cada banda faz do seu jeito, um jeito que funcione para todos
4- Cada equipe pode desenvolver novas canções e estilos. Se for uma boa expressão de adoração, as outras equipes frequentemente começam a copiá-la. Isto estimula a criatividade em todo o ministério de adoração.
5 – As equipes podem ter de pessoas com gostos similares ou que estejam vivendo momentos parecidos na vida (casados, solteiros, jovens, etc)
6 – Há muitas canções que são ótimas músicas de adoração. Mas nem todos os líderes de louvor gostam de todas as músicas. Se você tem equipes diferentes, as outras equipes podem tocar as outras músicas que você prefere não tocar.
Isto encoraja competição? Outra ótima pergunta. Uma competição doentia entre as bandas não tem sido um problema entre nós. É bom estar sempre atento a isso, assim como a outros pecados que permeiam a igreja e as artes criativas. Mas, assim como é bom ouvir outras bandas de fora da igreja, por que não ter diferentes expressões dentro da própria igreja? Vale a pena o risco, desde que haja cuidado pastoral entre os membros das equipes. Estas cartas são trechos de notas, e-mails e conversas de líderes de louvor experientes para aqueles que estão começando.
---------------------------------------------------------------------------------------------- Talentos (não) devem ser explorados
Por Sérgio Pavarini Antes de ser atendida no consultório médico, a paciente recebe a ficha para preencher. Um dos dados requeridos a deixa intrigada. – Não entendo por que o doutor Miguel precisa saber minha religião...
Solícita, a secretária dá a explicação. – Ele é crente e só atende pessoas que aceitaram a Jesus como salvador e Senhor de suas vidas.
A ilustração é absurda porque o profissional envolvido é da área médica. Se fosse um músico, o enredo poderia ser observado com freqüência. Afinal, boa parte dos líderes crê que as igrejas são o único lugar em que cantores e instrumentistas devem usar seu talento.
Vivemos tempos estranhos em que aconteceu a ressurreição parcial do ofício dos levitas. Parcial, por que levitas pós-modernos só cantam ou tocam. Ninguém encontra um levita cuidando da limpeza ou da portaria, por exemplo. Pra completar, todos os textos bíblicos que tratam do sustento dessa tribo foram esquecidos.
Músicos que tocam na noite não serão aceitos em muitas igrejas, já que pastores costumam associar a noite às trevas, com exceção das vigílias da comunidade. ´Deixe de tocar nesses antros de pecado que vamos lhe auxiliar no sustento´, repetem aos musicistas. No final do culto, o cara precisa esperar a looooonga fila de pessoas pedindo oração para receber grana suficiente para a passagem de ônibus e a tradicional ´coxinha maranata´.
Se não tem outra opção profissional, o músico precisa ´se virar nas trinta´. No caso, atividades diferentes para garantir um padrão mínimo de decência. Dá aulas de tuba e bateria em domicílio, ensaia grupos de outras igrejas, grava com artistas (se o CD não é cristão, ora fervorosamente para ninguém descobrir), toca em casamentos e chás de senhoras. Recusa apenas convites para missas de sétimo dia e baile de debutantes.
Algumas igrejas tradicionais têm mais cuidado com essa questão. O ministro de música fez curso de nível superior na área e é funcionário da igreja. Em outros lugares, alguns minutos de destaque durante o culto são uma moeda de troca eficiente.
O descaso com que a área musical estende-se também à compra de equipamentos. Sei de igrejas em que é quase necessário fazer uma assembléia para decidir a compra de cordas novas para a guitarra.
Do outro lado do ringue a coisa também não rola legal. Costumo afirmar que é possível avaliar o zelo do músico ao observar seu entorno. Cabos amontoados, instrumentos em mau estado de conservação e transparências com erros ortográficos são um bom indicador do descaso com que as coisas de Deus são (mal)tratadas.
Da mesma forma que determinados textos bíblicos são equivocadamente interpretados de forma literal, infelizmente ainda há líderes que levam ao pé da letra a expressão “explorar talentos”. Até quando, só Deus sabe.
Sérgio Pavarini é jornalista e marqueteiro e arruma com muuuuito cuidado os cabos do teclado antes de começar a tocar. Lidera a Usina de Sonhos, grupo que une coral, teatro e dança.
Extraído do site http://pavablog.blogspot.com
---------------------------------------------------------------------------------------------- Adoração , música e mercado
Por Uassyr Verotti Ferreira
Falar sobre mercado evangélico nunca foi e nunca será uma tarefa fácil, pois além dos paradigmas convencionais é preciso considerar aspectos que dizem respeito a conduta cristã em si. Pensando na relação entre adoração, música e mercado, muito embora tudo pareça estar particularmente tão claro, vamos procurar pensar da seguinte forma: Primeiro, adoração é o verdadeiro significado de estarmos aqui. Deus tem nos chamado para adorá-lo pelo que ele é. Por sua vez, é Ele que tem nos dado à música como uma das formas de adoração. Quantos dons nesta área têm se manifestado no meio do povo e é muito bom ver a igreja crescendo na adoração através da música e pessoas buscando uma maior intimidade com Deus.
Daí chegamos na parte que parece ser mais delicada e que, por décadas, tem despertado um debate às vezes bastante acalorado. O mercado é importante para espalhar os “recursos” indispensáveis para o progresso da Igreja Cristã contemporânea. Através de seus veios e ramificações, o mercado permite que esses “recursos” cheguem aos mais diversos pontos onde o povo de Deus se reúne. Entretanto, é bom que se diga: Não estarmos conscientes de que cada função tem que ser executada dentro dos padrões cristãos — honestidade, seriedade, transparência, honradez etc. — pode nos levar a uma grande e perigosa armadilha.
É importante ter cuidado para que a adoração não seja feita em função do mercado, produzindo algo simplesmente para vender e não produzir algo que tem sido fruto de uma relação íntima com o Pai. O músico não deve esperar do mercado o retorno para continuar a caminhada, perdendo o real sentido para o que foi chamado. Deus tem levantado adoradores em todas as nações. Não podemos ceder ao ambição mercadológica e perdermos com isso a bênção de ser um verdadeiro adorador. A “ferramenta” mercado não deve privar-nos de levar a todos aquilo que tem sido produzido para ajudar as pessoas. Para encontrar o equilíbrio, utilizemos a “ferramenta” oração, buscando a opinião de quem realmente importa: o Pai.
É esse ponto de equilíbrio que Vencedores Por Cristo e Vineyard Music Brasil, que vem contribuir para a igreja Brasileira com aquilo que Deus tem chamado há mais de 25 anos, têm buscado permanentemente. Que gostoso ver suas músicas sendo usadas na adoração em várias igrejas, levando o povo a uma intimidade maior com o Criador. Temos muito a aprender sobre uma intimidade maior com o Pai.
Uassyr Verotti Ferreira é diretor de Vencedores Por Cristo Produções, responsável pela distribuição dos produtos da Vineyard Music Brasil.
----------------------------------------------------------------------------------------------Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. II Corintíos 4:16
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